Tanto o termo cancelamento, quanto o hábito de cancelar pessoas e marcas que apresentem posicionamentos com os quais não nos identificamos, está bem em alta. Afinal de contas, o que é cancelar? Evitar? Boicotar? Senão diminuir, excluir ou até mesmo machucar? Acontece que a prática deste ato não se refere unicamente a utilização de um verbo, e sim a deixar de consumir tudo o que as pessoas e empresas canceladas ofereçam.

Infelizmente esta situação não é pacífica, nem existe meio termo para quem se encontre nela. De um lado do ringue estão os canceladores, com todas as suas queixas, dores e justificativas para se comportarem assim, do outro, os cancelados, que podem ter colocações deliberadamente preconceituosas e perversas, ou podem estar errando sem fazer a menor ideia disso ou sequer podem ter errado, mas foram sentenciados como merecedores do título de cancelados. Algo que não deveria sair de foco, é que os dois lados são compostos por seres humanos com pensamentos distintos, mas possuidores de sentimentos e de famílias que colateralmente são atingidas pelas atitudes de cancelamento.

Particularmente, defendo que o que é bom para mim, pode não ser bom para você. Porém acima disto, defendo a justiça. Justiça nas atitudes com os outros, justiça e proporcionalidade nas sanções para os erros. Também acredito que o ensino e o exemplo são os principais caminhos para a promoção da mudança, pois é uma atitude vazia criticar sem explicar os porquês, agir da mesma maneira e não apresentar novas visões de mundo a respeito do tema para quem está errando por ignorância.

Nosso modelo de sociedade nunca foi experimentado anteriormente, já que vivemos em uma era onde quase todos possuem acesso a ferramentas que facilitam que suas vozes sejam ouvidas no mundo inteiro e muitas vezes, em proporções gigantescas. Isto é incrível, pois a censura e o controle dos meios de comunicação vão perdendo espaço cada vez mais. Porém, minimiza-se a cautela com quais vozes ouvir e surgem diariamente novos formadores de opinião (muitas vezes completamente despreparados e alienados), mas que a partir daquele momento influenciarão milhares ou até milhões de mentes com seus discursos deturpados. Justamente daí que podem surgir catástrofes.

Para finalizar, gostaria de te convidar a refletir sobre os momentos em que você se comporta como cancelador e sobre os momentos que fizeram com que você fosse (ou se sentisse) cancelado. Foram justos ou injustos? O que poderia ser feito de maneira diferente? Você gostaria de ser tratado como tratou? Como espera ser recepcionado pela sua audiência quando emite uma opinião? Veja bem, todos têm direito a possuir opiniões, mesmo que elas sejam conflitantes com as dos demais. O que não pode haver em nenhuma hipótese é o desrespeito com o outro e a propagação do ódio.

Se colocar no lugar no próximo (a tão falada empatia) ao falar e ao ouvir, evita que muitos desconfortos sejam criados e minimiza bastante as situações de cancelamento, o que torna todas as relações mais leves e harmônicas. Lembre-se que você e o outro têm direito de opinar e discordar, mas sempre pautados nos limites das leis, do respeito e bom senso.

Autora: Carolina Pendiuk – Jurista

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